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Carne
de Cabrito é tendência nos
Estados Unidos
A carne de
bode, quem diria, está fazendo sucesso
nos Estados Unidos. Na retrospectiva 2008
da "Time", ela figura entre uma
das tendências da gastronomia. Embora
seja relativamente difícil de ser
encontrada naquele país, segundo
a revista, sua carne magra vem conquistando
comensais, e algumas propriedades da Califórnia
já criam animais para fins comerciais,
permitindo que chefs sirvam em seus restaurantes
pratos como linguiça de bode e cabrito
assado.
Apesar de a relação
de parentesco não estar explícita
nos nomes, cabrito é a cria do bode,
o animal jovem, com carne mais úmida
e menos gordurosa. No Nordeste e em alguns
restaurantes de cozinha regional em São
Paulo, como o Mocotó, o bode atrai
a atenção no cardápio,
mas é o cabrito quem entra na panela.
A brincadeira é um resquício
do tempo em que costumava-se abater animais
velhos --o que desencadeou, também,
a fama de ser uma carne malcheirosa.
O
chef Rodrigo Oliveira, do Mocotó,
é adepto da "provocação",
já que acredita que o bode sofre
mais preconceito do que o cabrito, mas não
deixa de usar esse nome nos pratos de seu
restaurante. "Só de ouvir falar
em bode, a pessoa já pensa em buchada,
mas ele é muito mais do que isso.
Além da carne, tem a tripa, o coração,
os miolos... É um animal muito versátil."
Para
o pesquisador Evandro Vasconcelos Holanda
Júnior, da Embrapa Caprinos e Ovinos,
o preconceito deriva provavelmente de questões
culturais, do odor característico
dos animais de idade avançada e do
fato de a espécie ser explorada em
áreas de baixo desenvolvimento --os
rebanhos se concentram no Nordeste do país,
onde a carne é mais apreciada. "Hoje,
contudo, vem aumentando o abate de animais
jovens, e a carne caprina passa a ser vista
como saudável em função
de sua composição nutricional",
afirma.
Um dos maiores diferenciais
da carne caprina é o baixo teor de
gordura: a cada 100 gramas, contém
2,76 gramas, contra 3,75 gramas do frango
sem pele e 17,14 gramas da carne bovina.
Também é uma carne rica em
ferro, mineral cuja carência pode
causar anemia e atraso no desenvolvimento
das crianças: são 3,54 gramas,
o dobro da quantia encontrada na carne de
frango.
Os caprinos foram domesticados
por volta do século 8º a.C.,
na mesma época em que os ovinos,
no sudoeste da Ásia. Ao Brasil, chegaram
com os colonizadores portugueses, no século
16.
Fonte: Folha de São
Paulo em 02/02/2009
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